Descubra a serenidade e desfrute da paisagem de Picote. Ao ver a beleza das majestosas arribas e dos troços do Douro, onde a respiração fica suspensa, observe as aves que fazem dos escarpados rochosos das arribas do Douro a sua casa.

Paisagem

A paisagem como suporte natural é o resultado de complexas forças e processos geológicos que muitas vezes se reconhecem na própria toponímia.

Em toda esta área são frequentes topónimos que contêm palavras como pe(i)nha, faya, penedo, picão, fraga, seixo, barrocal, etc., que relevam bem a importância da geologia nesta região tão singular.

 

Quem se aproxima de Picote pela estrada atual percorre uma zona de planalto ondulado por suaves montes e nota uma falha geológica mais profunda, para onde em declive brusco confluem cursos de água e onde o Douro, que marca a fronteira entre Portugal e Espanha.

 

O escarpado das margens do Douro tem na Fraga do Puio um dos locais mais vertiginosos do extenso vale de arribas. A paisagem natural é caracterizada pelas rochas graníticas, de aspeto vigoroso com a morfologia
suave das áreas mais elevadas
.

As rochas correspondem a sedimentos depositados nos mares do período Câmbrico, há cerca de 500 milhões de anos, sobre os quais se exerceu a ação de diversos fatores geológicos, dando origem, há cerca de 300 milhões de anos, a estas formações graníticas. Do lado de Espanha avista-se uma grande superfície aplanada que se prolonga para Portugal e que constitui o chamado Planalto Mirandês. Esta extensa aplanação abrange uma vasta área da Península, sendo designada por meseta ibérica. A sua formação corresponde à evolução do
Maciço Hespérico onde, há cerca de 200 milhões de anos, ocorreu o arrasamento das montanhas então existentes, formando-se uma extensa planície.

Os sucessivos fenómenos tectónicos e de erosão culminaram com a subida desta superfície que, nesta zona está a cerca de 600 metros acima do nível do mar. Esta elevação provocou, assim um acentuado desnível que fez aumentar a capacidade erosiva dos cursos de água, formando-se o Rio Douro que corre entre as fraturas e zonas de esmagamento das rochas, que atravessa e onde sulca o seu leito atual num vale profundo de paredes abruptas e de grande beleza natural, com sucessivas quedas de nível, hoje regularizadas pelas
barragens artificiais.

Fauna e Flora

A fauna do Parque Natural do Douro Internacional tem em Picote um dos seus sectores mais valiosos incluindo um mosaico de habitats entre arribas e Planaltos que proporciona a existência de mais de 200 espécies de vertebrados, entre as quais 150 de aves.

De entre estas destacam-se as aves rupícolas, que utilizam os escarpados rochosos como refúgio de nidificação. O Abutre do Egipto (Neophron percnopterus), o Grifo (Gips fulvus), a Águia-real (Aquila chrysaetos), o Andorinhão-real (Apus melba) e a Gralha de bico vermelho (Phyrrhocorax phyrrocorax, são uma presença comum nos céus desta região.

Salienta-se ainda a ocorrência de diversos mamíferos silvestres, como Gato-bravo (Capreolus capreollos) e ocasionalmente o Lobo (Canis Lupus).

Os vestígios da passagem destes animais observam-se ao longo da rede de percursos tradicionais, comprovando uma coexistência secular com a população humana.

A vegetação é diversificada e destacam-se as vastas extensões de bosques e matos de espécies autóctones, que ocupam os campos agrícolas e de pastoreio de outrora. Essas formações são dominadas pela azinheira localmente designada por Carrasco (Quercus rotundifolia), que constitui o elemento arbóreo mais abundante, concentrando as manchas mais densas nos fundos de vale e vertentes expostas a sul.

O sobreiro (Quercus suber) está igualmente representado, e o Carvalho-negral (Quercus pirenaica) ocorre sob a forma de bosquete nos terrenos que superam os 600 metros de altitude. Contudo, o elemento vegetal mais emblemático é o Zimbro (Juniperus oxcedrus), presente sobretudo nas ladeiras pedregosas e fraguedos de granito.

Os giestais e estevais, extensas manchas arbustivas que resultam da degradação dos bosques primitivos completam o coberto paisagístico da zona meridional do concelho de Miranda do Douro.

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